Mapa de risco: cores, tamanhos e como fazer o mapeamento de riscos
Mapa de risco é a planta do local de trabalho com círculos coloridos que mostram cada risco e sua gravidade. Veja o que significa cada cor e como fazer o seu.

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Mapa de risco é a planta do local de trabalho com círculos coloridos que mostram cada risco e sua gravidade. Veja o que significa cada cor e como fazer o seu.
Bem feito, ele permite que qualquer pessoa, do operador recém contratado ao visitante, olhe para a parede na entrada do setor e saiba em poucos segundos onde está o ruído, onde se manuseia produto químico e onde existe risco de queda. A seguir você encontra a tabela de cores, o significado do tamanho dos círculos, o que diz a norma hoje, o passo a passo do mapeamento de riscos e um exemplo completo.
Resposta rápida
No mapa de risco, cada cor representa um grupo de risco: verde para físico, vermelho para químico, marrom para biológico, amarelo para ergonômico e azul para acidente. O tamanho do círculo mostra a gravidade: pequeno, médio ou grande. O mapa é desenhado sobre a planta do setor, com a participação de quem trabalha ali, e fica afixado em local visível.
Para que serve o mapa de risco
O mapa de risco é uma ferramenta de comunicação. Laudos e programas de segurança costumam ficar em pastas e sistemas que o trabalhador do chão de fábrica nunca abre. O mapa leva essa informação para a parede, numa linguagem que não exige leitura técnica.
Na prática, ele cumpre três funções:
- Alertar quem entra no setor sobre os riscos daquele espaço.
- Envolver os trabalhadores na identificação dos riscos, porque o mapa nasce de conversas com quem executa as tarefas.
- Orientar prioridades, já que círculos grandes chamam atenção para os pontos que precisam de ação primeiro.
O mapeamento de riscos também revela coisas que a gestão não vê. O operador sabe que a esteira trava sempre no mesmo ponto e que alguém enfia a mão ali para destravar. Isso raramente aparece numa vistoria rápida, mas aparece quando a pergunta é feita para quem trabalha no local.
Cor do mapa de risco: o que cada uma significa
As cores seguem uma convenção usada no Brasil desde a década de 1990 e são as mesmas em qualquer empresa. Decorar a tabela abaixo resolve a maioria das dúvidas:
| Cor | Grupo de risco | Exemplos |
|---|---|---|
| Verde | Físico | Ruído, vibração, calor, frio, umidade, radiações e pressões anormais |
| Vermelho | Químico | Poeiras, fumos, névoas, gases, vapores e produtos químicos manuseados |
| Marrom | Biológico | Vírus, bactérias, fungos, parasitas e contato com material contaminado |
| Amarelo | Ergonômico | Postura inadequada, levantamento de peso, repetição, ritmo excessivo e jornadas longas |
| Azul | Acidente | Máquinas sem proteção, eletricidade, piso escorregadio, risco de queda, incêndio e arranjo físico ruim |
Verde, risco físico
São formas de energia a que o trabalhador fica exposto. O caso mais comum é o ruído de compressores, prensas e serras. Calor de fornos, frio de câmaras frigoríficas e vibração de marteletes também entram aqui.
Vermelho, risco químico
Substâncias que entram no corpo pela respiração, pela pele ou pela boca. Pintura, solda, limpeza com produtos concentrados e qualquer atividade que levante poeira merecem círculo vermelho. A ficha de cada produto, a FDS, ajuda a dimensionar esse risco.
Marrom, risco biológico
Microrganismos presentes em hospitais, laboratórios, coleta de lixo, esgoto e criação de animais. Em escritórios, banheiros e copas raramente justificam um círculo marrom, salvo situações específicas.
Amarelo, risco ergonômico
Tudo que exige do corpo mais do que ele aguenta com conforto: carregar peso, trabalhar curvado, repetir o mesmo movimento por horas, cadeira sem regulagem, ritmo imposto por máquina e pressão excessiva por produção.
Azul, risco de acidente
Situações que podem causar lesão imediata: máquina sem proteção, fiação exposta, piso molhado, escada sem corrimão, empilhadeira circulando junto com pedestres e armazenamento de materiais que pode desabar. Alguns materiais antigos chamam esse grupo de risco mecânico.

Tamanho dos círculos e gravidade do risco
A cor diz qual é o risco. O tamanho diz quanto ele preocupa. São três níveis:
| Círculo | Gravidade | Como reconhecer |
|---|---|---|
| Pequeno | Leve | Exposição baixa ou já bem controlada por medidas existentes |
| Médio | Moderada | Exposição que causa incômodo ou pode causar dano se não for controlada |
| Grande | Elevada | Exposição intensa, frequente ou com potencial de lesão grave e controle insuficiente |
A proporção usual entre os diâmetros é 1, 2 e 4: o médio tem o dobro do pequeno e o grande tem o dobro do médio. Essa diferença precisa ser visível de longe. Se os três tamanhos parecem iguais na parede, o mapa perde metade da informação.
Quando o mesmo ponto tem mais de um risco
Se um local tem riscos de grupos diferentes com a mesma gravidade, desenhe um único círculo dividido em partes iguais, uma para cada cor. Uma cabine de pintura com ruído médio e vapor químico médio vira um círculo médio metade verde e metade vermelho. Se as gravidades forem diferentes, use círculos separados, cada um do seu tamanho.
Ao lado de cada círculo, vale escrever o número de trabalhadores expostos e o agente principal, por exemplo "4 pessoas, ruído da prensa". Esse detalhe transforma o mapa de um desenho genérico em uma informação útil.
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O mapa de risco é obrigatório?
Aqui está a dúvida que mais gera informação desencontrada. O mapa de risco foi incluído na antiga redação da NR 5 em 1994, como atribuição da CIPA. Com a revisão da norma publicada em 2021, o texto da NR 5 deixou de citar o mapa de risco pelo nome.
O que a norma pede hoje é que a CIPA acompanhe o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos feito pela empresa e participe da adoção das medidas de prevenção. Esse processo, por sua vez, faz parte do gerenciamento de riscos ocupacionais previsto na NR 1.
Na prática, isso significa três coisas:
- Não existe mais um item de norma que obrigue todas as empresas a afixar um mapa colorido.
- O mapa continua sendo uma forma reconhecida e simples de a CIPA cumprir e mostrar o seu papel na identificação de riscos.
- Convenções e acordos coletivos de algumas categorias ainda exigem o mapa. Vale conferir o instrumento coletivo da sua empresa antes de abandonar a prática.
Se a sua empresa já tem o mapa, não faz sentido tirá-lo da parede. Se não tem, ele é um dos jeitos mais baratos de tornar os riscos visíveis para a equipe.
Como fazer o mapeamento de riscos passo a passo
O mapa é feito setor por setor. Em empresas pequenas, um único mapa pode cobrir todo o espaço. O roteiro é este:
- Conheça o setor e o processo de trabalho. Liste quantas pessoas trabalham ali, quais atividades fazem, que máquinas, ferramentas e produtos usam e em que turnos.
- Ouça quem trabalha no local. Converse com os trabalhadores de cada setor ou aplique um questionário curto. Eles conhecem riscos que não aparecem numa visita rápida.
- Identifique os riscos e a fonte de cada um. Classifique cada risco em físico, químico, biológico, ergonômico ou de acidente e anote o que o gera: a máquina, o produto, a tarefa ou o ambiente.
- Avalie a gravidade. Defina se o risco é pequeno, médio ou grande, considerando a intensidade, o tempo de exposição e as medidas de proteção que já existem.
- Desenhe os círculos na planta. Sobre a planta baixa ou um croqui do setor, marque cada risco com a cor do grupo e o tamanho da gravidade, no ponto exato onde ele acontece.
- Afixe, divulgue e revise. Coloque o mapa em local visível na entrada do setor, explique a legenda para a equipe e atualize sempre que houver mudança de processo, layout ou após um acidente.
Quem participa
O mapeamento costuma ser conduzido pelos membros da CIPA, com apoio do SESMT quando a empresa tem esse serviço. O ponto central é ouvir quem trabalha no setor. Um mapa desenhado só pelo técnico, sem conversar com a equipe, vira um cartaz que ninguém lê.
O que você precisa ter em mãos
- Planta baixa ou croqui simples do setor, com máquinas, bancadas e corredores.
- Lista de atividades, máquinas e produtos químicos usados.
- Registros de acidentes e afastamentos recentes do setor.
- Inventário de riscos do PGR, quando a empresa já tiver.

Exemplo prático de mapa de risco em uma oficina
Imagine uma oficina de manutenção com 12 trabalhadores, dividida em quatro áreas. Depois das conversas com a equipe, o resultado ficou assim:
| Área | Risco encontrado | Círculo no mapa |
|---|---|---|
| Usinagem | Ruído alto do torno e da fresa, 5 pessoas | Grande verde |
| Usinagem | Cavaco e peças girando sem proteção completa | Médio azul |
| Solda | Fumos metálicos, 2 pessoas | Grande vermelho |
| Solda | Radiação do arco e calor | Médio verde |
| Almoxarifado | Levantamento manual de caixas pesadas | Médio amarelo |
| Almoxarifado | Prateleiras altas sem travamento | Pequeno azul |
| Escritório | Cadeiras sem regulagem e uso contínuo de computador | Pequeno amarelo |
Olhando o mapa pronto, a prioridade salta aos olhos: os dois círculos grandes, ruído na usinagem e fumos na solda. É ali que a empresa deve concentrar o plano de ação, com medidas como enclausuramento da fonte de ruído, exaustão local na bancada de solda e, como complemento, protetor auricular e respirador adequados.
Erros que tiram o valor do mapa de risco
- Mapa único e genérico para setores muito diferentes, que não mostra onde o risco realmente está.
- Círculos do mesmo tamanho em tudo, o que apaga a noção de prioridade.
- Legenda ausente, deixando visitantes e novatos sem entender as cores.
- Mapa desatualizado, ainda mostrando a máquina que saiu há dois anos.
- Afixado em lugar escondido, como dentro da sala da segurança, em vez da entrada do setor.
- Feito sem ouvir os trabalhadores, o que deixa de fora justamente os riscos do dia a dia.
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Mapa de risco e PGR: qual a diferença
Os dois tratam de riscos, mas têm papéis distintos. O PGR é o programa formal exigido pela NR 1, com inventário de riscos, avaliação e plano de ação com prazos e responsáveis. O mapa de risco é uma representação visual, pensada para comunicar.
| Ponto | PGR | Mapa de risco |
|---|---|---|
| Base | NR 1 | Prática ligada à CIPA, NR 5 |
| Formato | Documento com inventário e plano de ação | Planta com círculos coloridos |
| Público | Gestão, SESMT, fiscalização | Todos que circulam no setor |
| Profundidade | Avaliação detalhada de cada perigo | Visão rápida do tipo e da gravidade |
O caminho mais coerente é fazer os dois conversarem: os riscos do inventário do PGR aparecem no mapa, e o que a equipe aponta durante o mapeamento volta para o PGR. Quando um mapa mostra um círculo grande que não existe no inventário, há algo a corrigir.
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Perguntas frequentes sobre mapa de risco
O que é mapa de risco?
É uma representação gráfica da planta do local de trabalho em que os riscos ocupacionais aparecem como círculos coloridos. A cor indica o tipo de risco e o tamanho do círculo indica a gravidade.
Quais são as cores do mapa de risco?
Verde para riscos físicos, vermelho para químicos, marrom para biológicos, amarelo para ergonômicos e azul para riscos de acidente.
O que significa o tamanho do círculo no mapa de risco?
O círculo pequeno representa risco leve, o médio representa risco moderado e o grande representa risco elevado. A proporção usual é 1, 2 e 4, ou seja, o grande tem o dobro do diâmetro do médio.
Quem faz o mapa de risco?
Tradicionalmente a CIPA elabora o mapa ouvindo os trabalhadores de cada setor, com apoio do SESMT quando a empresa tem um. Em empresas sem CIPA, o responsável pelo cumprimento da NR 5 e a equipe de segurança podem conduzir o mapeamento.
O mapa de risco ainda é obrigatório?
O texto atual da NR 5 não cita o mapa de risco pelo nome. A norma atribui à CIPA o acompanhamento da identificação de perigos e da avaliação de riscos. Por isso muitas empresas mantêm o mapa como forma de cumprir e divulgar esse trabalho, e algumas convenções coletivas ainda o exigem.
Quando um círculo tem várias cores, o que significa?
Significa que no mesmo ponto existem riscos de grupos diferentes com a mesma gravidade. O círculo é dividido em partes iguais, uma para cada cor.
De quanto em quanto tempo o mapa de risco deve ser atualizado?
A prática mais segura é revisar a cada mandato da CIPA e sempre que mudar o layout, entrar uma máquina nova, um produto químico novo ou acontecer um acidente no setor.
Mapa de risco substitui o PGR?
Não. O PGR, previsto na NR 1, é o programa formal com inventário de riscos e plano de ação. O mapa de risco é uma ferramenta visual que ajuda a comunicar esses riscos a quem trabalha no local.
Fontes oficiais
- NR 5, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Ministério do Trabalho e Emprego)
- NR 1, Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (Ministério do Trabalho e Emprego)
Conteúdo informativo revisado em 25 de outubro de 2026. A identificação e a avaliação dos riscos devem ser conduzidas com orientação de profissional de segurança do trabalho e conferidas com o instrumento coletivo da categoria.
