Segurança do Trabalho

Mapa de risco: cores, tamanhos e como fazer o mapeamento de riscos

Mapa de risco é a planta do local de trabalho com círculos coloridos que mostram cada risco e sua gravidade. Veja o que significa cada cor e como fazer o seu.

Victor Alencar
Victor Alencar

Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho

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25 de outubro de 202611 min
Técnica de segurança apontando círculos coloridos em um mapa de risco afixado na parede da fábrica para trabalhadores de capacete
O mapa de risco só cumpre seu papel quando a equipe entende o que cada círculo quer dizer.

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Mapa de risco é a planta do local de trabalho com círculos coloridos que mostram cada risco e sua gravidade. Veja o que significa cada cor e como fazer o seu.

Bem feito, ele permite que qualquer pessoa, do operador recém contratado ao visitante, olhe para a parede na entrada do setor e saiba em poucos segundos onde está o ruído, onde se manuseia produto químico e onde existe risco de queda. A seguir você encontra a tabela de cores, o significado do tamanho dos círculos, o que diz a norma hoje, o passo a passo do mapeamento de riscos e um exemplo completo.

Resposta rápida

No mapa de risco, cada cor representa um grupo de risco: verde para físico, vermelho para químico, marrom para biológico, amarelo para ergonômico e azul para acidente. O tamanho do círculo mostra a gravidade: pequeno, médio ou grande. O mapa é desenhado sobre a planta do setor, com a participação de quem trabalha ali, e fica afixado em local visível.

Para que serve o mapa de risco

O mapa de risco é uma ferramenta de comunicação. Laudos e programas de segurança costumam ficar em pastas e sistemas que o trabalhador do chão de fábrica nunca abre. O mapa leva essa informação para a parede, numa linguagem que não exige leitura técnica.

Na prática, ele cumpre três funções:

  • Alertar quem entra no setor sobre os riscos daquele espaço.
  • Envolver os trabalhadores na identificação dos riscos, porque o mapa nasce de conversas com quem executa as tarefas.
  • Orientar prioridades, já que círculos grandes chamam atenção para os pontos que precisam de ação primeiro.

O mapeamento de riscos também revela coisas que a gestão não vê. O operador sabe que a esteira trava sempre no mesmo ponto e que alguém enfia a mão ali para destravar. Isso raramente aparece numa vistoria rápida, mas aparece quando a pergunta é feita para quem trabalha no local.

Cor do mapa de risco: o que cada uma significa

As cores seguem uma convenção usada no Brasil desde a década de 1990 e são as mesmas em qualquer empresa. Decorar a tabela abaixo resolve a maioria das dúvidas:

CorGrupo de riscoExemplos
VerdeFísicoRuído, vibração, calor, frio, umidade, radiações e pressões anormais
VermelhoQuímicoPoeiras, fumos, névoas, gases, vapores e produtos químicos manuseados
MarromBiológicoVírus, bactérias, fungos, parasitas e contato com material contaminado
AmareloErgonômicoPostura inadequada, levantamento de peso, repetição, ritmo excessivo e jornadas longas
AzulAcidenteMáquinas sem proteção, eletricidade, piso escorregadio, risco de queda, incêndio e arranjo físico ruim

Verde, risco físico

São formas de energia a que o trabalhador fica exposto. O caso mais comum é o ruído de compressores, prensas e serras. Calor de fornos, frio de câmaras frigoríficas e vibração de marteletes também entram aqui.

Vermelho, risco químico

Substâncias que entram no corpo pela respiração, pela pele ou pela boca. Pintura, solda, limpeza com produtos concentrados e qualquer atividade que levante poeira merecem círculo vermelho. A ficha de cada produto, a FDS, ajuda a dimensionar esse risco.

Marrom, risco biológico

Microrganismos presentes em hospitais, laboratórios, coleta de lixo, esgoto e criação de animais. Em escritórios, banheiros e copas raramente justificam um círculo marrom, salvo situações específicas.

Amarelo, risco ergonômico

Tudo que exige do corpo mais do que ele aguenta com conforto: carregar peso, trabalhar curvado, repetir o mesmo movimento por horas, cadeira sem regulagem, ritmo imposto por máquina e pressão excessiva por produção.

Azul, risco de acidente

Situações que podem causar lesão imediata: máquina sem proteção, fiação exposta, piso molhado, escada sem corrimão, empilhadeira circulando junto com pedestres e armazenamento de materiais que pode desabar. Alguns materiais antigos chamam esse grupo de risco mecânico.

Planta baixa de oficina impressa sobre a mesa com círculos coloridos verdes, vermelhos, marrons, amarelos e azuis de tamanhos diferentes, alguns divididos em fatias
Cada cor indica o grupo de risco. Círculos divididos mostram riscos diferentes com a mesma gravidade no mesmo ponto.

Tamanho dos círculos e gravidade do risco

A cor diz qual é o risco. O tamanho diz quanto ele preocupa. São três níveis:

CírculoGravidadeComo reconhecer
PequenoLeveExposição baixa ou já bem controlada por medidas existentes
MédioModeradaExposição que causa incômodo ou pode causar dano se não for controlada
GrandeElevadaExposição intensa, frequente ou com potencial de lesão grave e controle insuficiente

A proporção usual entre os diâmetros é 1, 2 e 4: o médio tem o dobro do pequeno e o grande tem o dobro do médio. Essa diferença precisa ser visível de longe. Se os três tamanhos parecem iguais na parede, o mapa perde metade da informação.

Quando o mesmo ponto tem mais de um risco

Se um local tem riscos de grupos diferentes com a mesma gravidade, desenhe um único círculo dividido em partes iguais, uma para cada cor. Uma cabine de pintura com ruído médio e vapor químico médio vira um círculo médio metade verde e metade vermelho. Se as gravidades forem diferentes, use círculos separados, cada um do seu tamanho.

Ao lado de cada círculo, vale escrever o número de trabalhadores expostos e o agente principal, por exemplo "4 pessoas, ruído da prensa". Esse detalhe transforma o mapa de um desenho genérico em uma informação útil.

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O mapa de risco é obrigatório?

Aqui está a dúvida que mais gera informação desencontrada. O mapa de risco foi incluído na antiga redação da NR 5 em 1994, como atribuição da CIPA. Com a revisão da norma publicada em 2021, o texto da NR 5 deixou de citar o mapa de risco pelo nome.

O que a norma pede hoje é que a CIPA acompanhe o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos feito pela empresa e participe da adoção das medidas de prevenção. Esse processo, por sua vez, faz parte do gerenciamento de riscos ocupacionais previsto na NR 1.

Na prática, isso significa três coisas:

  • Não existe mais um item de norma que obrigue todas as empresas a afixar um mapa colorido.
  • O mapa continua sendo uma forma reconhecida e simples de a CIPA cumprir e mostrar o seu papel na identificação de riscos.
  • Convenções e acordos coletivos de algumas categorias ainda exigem o mapa. Vale conferir o instrumento coletivo da sua empresa antes de abandonar a prática.

Se a sua empresa já tem o mapa, não faz sentido tirá-lo da parede. Se não tem, ele é um dos jeitos mais baratos de tornar os riscos visíveis para a equipe.

Como fazer o mapeamento de riscos passo a passo

O mapa é feito setor por setor. Em empresas pequenas, um único mapa pode cobrir todo o espaço. O roteiro é este:

  1. Conheça o setor e o processo de trabalho. Liste quantas pessoas trabalham ali, quais atividades fazem, que máquinas, ferramentas e produtos usam e em que turnos.
  2. Ouça quem trabalha no local. Converse com os trabalhadores de cada setor ou aplique um questionário curto. Eles conhecem riscos que não aparecem numa visita rápida.
  3. Identifique os riscos e a fonte de cada um. Classifique cada risco em físico, químico, biológico, ergonômico ou de acidente e anote o que o gera: a máquina, o produto, a tarefa ou o ambiente.
  4. Avalie a gravidade. Defina se o risco é pequeno, médio ou grande, considerando a intensidade, o tempo de exposição e as medidas de proteção que já existem.
  5. Desenhe os círculos na planta. Sobre a planta baixa ou um croqui do setor, marque cada risco com a cor do grupo e o tamanho da gravidade, no ponto exato onde ele acontece.
  6. Afixe, divulgue e revise. Coloque o mapa em local visível na entrada do setor, explique a legenda para a equipe e atualize sempre que houver mudança de processo, layout ou após um acidente.

Quem participa

O mapeamento costuma ser conduzido pelos membros da CIPA, com apoio do SESMT quando a empresa tem esse serviço. O ponto central é ouvir quem trabalha no setor. Um mapa desenhado só pelo técnico, sem conversar com a equipe, vira um cartaz que ninguém lê.

O que você precisa ter em mãos

  • Planta baixa ou croqui simples do setor, com máquinas, bancadas e corredores.
  • Lista de atividades, máquinas e produtos químicos usados.
  • Registros de acidentes e afastamentos recentes do setor.
  • Inventário de riscos do PGR, quando a empresa já tiver.
Membros da CIPA reunidos ao redor de uma mesa com a planta do setor e pranchetas, discutindo os riscos do local de trabalho
O mapeamento de riscos fica mais completo quando nasce da conversa com quem executa as tarefas.

Exemplo prático de mapa de risco em uma oficina

Imagine uma oficina de manutenção com 12 trabalhadores, dividida em quatro áreas. Depois das conversas com a equipe, o resultado ficou assim:

ÁreaRisco encontradoCírculo no mapa
UsinagemRuído alto do torno e da fresa, 5 pessoasGrande verde
UsinagemCavaco e peças girando sem proteção completaMédio azul
SoldaFumos metálicos, 2 pessoasGrande vermelho
SoldaRadiação do arco e calorMédio verde
AlmoxarifadoLevantamento manual de caixas pesadasMédio amarelo
AlmoxarifadoPrateleiras altas sem travamentoPequeno azul
EscritórioCadeiras sem regulagem e uso contínuo de computadorPequeno amarelo

Olhando o mapa pronto, a prioridade salta aos olhos: os dois círculos grandes, ruído na usinagem e fumos na solda. É ali que a empresa deve concentrar o plano de ação, com medidas como enclausuramento da fonte de ruído, exaustão local na bancada de solda e, como complemento, protetor auricular e respirador adequados.

Erros que tiram o valor do mapa de risco

  • Mapa único e genérico para setores muito diferentes, que não mostra onde o risco realmente está.
  • Círculos do mesmo tamanho em tudo, o que apaga a noção de prioridade.
  • Legenda ausente, deixando visitantes e novatos sem entender as cores.
  • Mapa desatualizado, ainda mostrando a máquina que saiu há dois anos.
  • Afixado em lugar escondido, como dentro da sala da segurança, em vez da entrada do setor.
  • Feito sem ouvir os trabalhadores, o que deixa de fora justamente os riscos do dia a dia.

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Mapa de risco e PGR: qual a diferença

Os dois tratam de riscos, mas têm papéis distintos. O PGR é o programa formal exigido pela NR 1, com inventário de riscos, avaliação e plano de ação com prazos e responsáveis. O mapa de risco é uma representação visual, pensada para comunicar.

PontoPGRMapa de risco
BaseNR 1Prática ligada à CIPA, NR 5
FormatoDocumento com inventário e plano de açãoPlanta com círculos coloridos
PúblicoGestão, SESMT, fiscalizaçãoTodos que circulam no setor
ProfundidadeAvaliação detalhada de cada perigoVisão rápida do tipo e da gravidade

O caminho mais coerente é fazer os dois conversarem: os riscos do inventário do PGR aparecem no mapa, e o que a equipe aponta durante o mapeamento volta para o PGR. Quando um mapa mostra um círculo grande que não existe no inventário, há algo a corrigir.

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Perguntas frequentes sobre mapa de risco

O que é mapa de risco?

É uma representação gráfica da planta do local de trabalho em que os riscos ocupacionais aparecem como círculos coloridos. A cor indica o tipo de risco e o tamanho do círculo indica a gravidade.

Quais são as cores do mapa de risco?

Verde para riscos físicos, vermelho para químicos, marrom para biológicos, amarelo para ergonômicos e azul para riscos de acidente.

O que significa o tamanho do círculo no mapa de risco?

O círculo pequeno representa risco leve, o médio representa risco moderado e o grande representa risco elevado. A proporção usual é 1, 2 e 4, ou seja, o grande tem o dobro do diâmetro do médio.

Quem faz o mapa de risco?

Tradicionalmente a CIPA elabora o mapa ouvindo os trabalhadores de cada setor, com apoio do SESMT quando a empresa tem um. Em empresas sem CIPA, o responsável pelo cumprimento da NR 5 e a equipe de segurança podem conduzir o mapeamento.

O mapa de risco ainda é obrigatório?

O texto atual da NR 5 não cita o mapa de risco pelo nome. A norma atribui à CIPA o acompanhamento da identificação de perigos e da avaliação de riscos. Por isso muitas empresas mantêm o mapa como forma de cumprir e divulgar esse trabalho, e algumas convenções coletivas ainda o exigem.

Quando um círculo tem várias cores, o que significa?

Significa que no mesmo ponto existem riscos de grupos diferentes com a mesma gravidade. O círculo é dividido em partes iguais, uma para cada cor.

De quanto em quanto tempo o mapa de risco deve ser atualizado?

A prática mais segura é revisar a cada mandato da CIPA e sempre que mudar o layout, entrar uma máquina nova, um produto químico novo ou acontecer um acidente no setor.

Mapa de risco substitui o PGR?

Não. O PGR, previsto na NR 1, é o programa formal com inventário de riscos e plano de ação. O mapa de risco é uma ferramenta visual que ajuda a comunicar esses riscos a quem trabalha no local.

Fontes oficiais

Conteúdo informativo revisado em 25 de outubro de 2026. A identificação e a avaliação dos riscos devem ser conduzidas com orientação de profissional de segurança do trabalho e conferidas com o instrumento coletivo da categoria.