SESMT: composição, dimensionamento e regras da NR 4
SESMT é a equipe de segurança e saúde do trabalho exigida pela NR 4. Veja quando sua empresa precisa dela, quem deve fazer parte e como calcular o tamanho.

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Para que serve o SESMT
SESMT significa Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho. É a equipe de técnicos, engenheiros, médicos e profissionais de enfermagem do trabalho que a empresa mantém para prevenir acidentes e cuidar da saúde de quem trabalha nela.
No dia a dia, é essa equipe que vai a campo, identifica o que pode machucar ou adoecer as pessoas, propõe as correções e acompanha se elas foram feitas. Também participa dos exames ocupacionais, investiga acidentes e orienta os trabalhadores. É bem mais do que entregar EPI ou guardar certificados.
O tamanho da equipe muda de empresa para empresa. Quem define isso é a NR 4, a partir de duas informações: o grau de risco da atividade e o número de trabalhadores.
Sua empresa precisa de SESMT?
A regra vale para empresas e órgãos públicos com empregados regidos pela CLT. Mas ter empregados não basta: o SESMT só passa a ser obrigatório quando a unidade atinge um número mínimo de pessoas, que depende do grau de risco.
| Grau de risco | Exigência começa em | Primeiro profissional exigido |
|---|---|---|
| 1 | 501 trabalhadores | 1 técnico de segurança do trabalho |
| 2 | 501 trabalhadores | 1 técnico de segurança do trabalho |
| 3 | 101 trabalhadores | 1 técnico de segurança do trabalho |
| 4 | 50 trabalhadores | 1 técnico de segurança do trabalho |
Esses números consideram uma unidade sozinha. Três situações podem fazer sua empresa precisar de SESMT mesmo abaixo deles: ter várias filiais no mesmo estado, receber terceirizados fixos dentro da unidade ou atuar em obras. Cada uma tem uma seção própria mais abaixo.
E se a empresa não atingir o número?
Ela não precisa montar um SESMT, mas continua obrigada a cuidar da segurança e da saúde dos trabalhadores. O PGR, os exames, os treinamentos e os EPIs seguem valendo pelas outras normas. Na prática, empresas menores costumam contratar profissionais ou consultorias para cumprir essas obrigações.
Como descobrir o grau de risco da sua empresa
O Anexo I da NR 4 lista as atividades econômicas pelo código CNAE e dá a cada uma um grau de risco de 1 a 4. Quanto maior o grau, menor o número de trabalhadores necessário para exigir o SESMT e maior a equipe.
O detalhe que muita empresa esquece: não basta olhar o CNAE principal do cartão do CNPJ. A norma manda comparar duas atividades e ficar com o maior grau entre elas (item 4.5.1):
- Atividade principal: a que está no CNPJ.
- Atividade preponderante: a que ocupa mais trabalhadores naquela unidade. Se duas atividades empatarem, vale a de maior grau.
Exemplo: uma empresa tem como atividade principal um código de grau 2, mas a maior parte da equipe trabalha em uma atividade de grau 3. O grau usado no cálculo é 3. Se fosse o contrário, com a principal em grau 4 e a preponderante em grau 3, valeria o 4.
Vale guardar a anotação de como chegou ao grau. Se a operação mudar e mais gente passar para outra atividade, o enquadramento pode mudar junto.
Tabela de dimensionamento do SESMT
Com o grau de risco e o número de trabalhadores em mãos, basta cruzar as duas informações no Anexo II. A tabela abaixo mostra as faixas de 50 a 1.000 trabalhadores, que é onde está a maioria das empresas. Acima disso, consulte o quadro completo da norma.
| Grau de risco | 50 a 100 | 101 a 250 | 251 a 500 | 501 a 1.000 |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Não exigido | Não exigido | Não exigido | 1 técnico de segurança |
| 2 | Não exigido | Não exigido | Não exigido | 1 técnico de segurança |
| 3 | Não exigido | 1 técnico de segurança | 2 técnicos de segurança | 3 técnicos de segurança, 1 engenheiro e 1 médico em tempo parcial |
| 4 | 1 técnico de segurança | 2 técnicos de segurança, 1 engenheiro e 1 médico em tempo parcial | 3 técnicos de segurança, 1 engenheiro e 1 médico em tempo parcial | 4 técnicos de segurança, 1 engenheiro e 1 médico em tempo integral, 1 auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho |
Na faixa de 501 a 1.000 do grau 4, o auxiliar ou técnico de enfermagem pode ser trocado por um enfermeiro do trabalho em tempo parcial. Hospitais, clínicas, maternidades e estabelecimentos parecidos com mais de 500 trabalhadores precisam ter enfermeiro do trabalho em tempo integral.
Três exemplos práticos
- Indústria grau 3 com 180 trabalhadores: 1 técnico de segurança.
- Empresa grau 4 com 180 trabalhadores: 2 técnicos de segurança, 1 engenheiro e 1 médico do trabalho em tempo parcial.
- Empresa grau 2 com 600 trabalhadores: 1 técnico de segurança.
Se a empresa já tem SESMT e contrata temporários que fazem a faixa subir, a equipe precisa ser reforçada durante esse período (item 4.5.6).
Quem faz parte da equipe do SESMT
A NR 4 prevê cinco tipos de profissionais. Nem todo SESMT terá todos: a tabela do Anexo II é que diz quais entram no seu caso.
| Profissional | Papel principal | Quando costuma aparecer |
|---|---|---|
| Técnico de segurança do trabalho | Acompanha as condições de trabalho, orienta as equipes e verifica as medidas de prevenção. | Em todas as faixas em que o SESMT é exigido. |
| Engenheiro de segurança do trabalho | Analisa riscos e define soluções de engenharia para controlá-los. | A partir de 501 trabalhadores no grau 3 e de 101 no grau 4. |
| Médico do trabalho | Cuida da saúde ocupacional e participa do PCMSO. | A partir de 501 trabalhadores no grau 3 e de 101 no grau 4. |
| Enfermeiro do trabalho | Conduz as ações de enfermagem voltadas à saúde do trabalhador. | Faixas altas e serviços de saúde. |
| Auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho | Apoia as ações de enfermagem dentro da sua formação. | Grau 4 a partir de 501 trabalhadores e faixas maiores. |
Todos precisam ter a formação e o registro profissional exigidos pela sua profissão. A coordenação pode ficar com qualquer integrante do serviço; não precisa ser o engenheiro. E a empresa deve dar à equipe os recursos e a independência técnica para trabalhar.
Carga horária e cobertura dos turnos
A NR 4 fixa uma dedicação mínima por semana para cada profissional:
| Profissional | Dedicação | Observação |
|---|---|---|
| Técnico de segurança e auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho | 44 horas por semana | Respeitando a legislação e os acordos coletivos da categoria. |
| Engenheiro, médico ou enfermeiro do trabalho em tempo parcial | Mínimo de 15 horas por semana | Cumpridas durante o expediente da unidade. |
| Engenheiro, médico ou enfermeiro do trabalho em tempo integral | Mínimo de 30 horas por semana | Pode ser dividido entre dois profissionais, cada um com pelo menos metade. |
Empresas que trabalham em turnos
Quando a tabela pede mais de um técnico de segurança, eles precisam estar distribuídos de forma que haja pelo menos um em cada turno com 101 ou mais trabalhadores no grau 3, ou 50 ou mais no grau 4 (item 4.3.6). Isso não aumenta o total de técnicos, só organiza as escalas.
Outro ponto: durante as horas do SESMT, a equipe não pode ser desviada para outras funções. O técnico que passa o dia resolvendo tarefas administrativas não está fazendo prevenção.
Empresas com mais de uma unidade
Se sua empresa tem filiais, a conta não é feita só por unidade isolada. A NR 4 permite organizar o SESMT de quatro formas, sempre considerando estabelecimentos da mesma unidade da federação (com exceção do compartilhado):
| Modalidade | Quando se aplica | Como funciona |
|---|---|---|
| Individual | A unidade atinge sozinha o número da tabela. | A unidade tem o seu próprio SESMT. |
| Regionalizado | Uma unidade atinge o número e outras no mesmo estado não. | O SESMT da unidade maior atende as menores, somando os trabalhadores. |
| Estadual | Nenhuma unidade atinge o número sozinha, mas a soma no estado atinge. | Monta-se um SESMT único para as unidades do estado. |
| Compartilhado | Empresas da mesma atividade no mesmo município ou em municípios vizinhos. | Várias empresas dividem o serviço, inclusive em cidades vizinhas de estados diferentes. |
No regionalizado e no estadual com unidades de graus diferentes, microempresas e empresas de pequeno porte de grau 1 e 2 contam apenas metade dos seus trabalhadores (item 4.5.3.1). Essa redução vale só nesse caso; não é um desconto geral de 50%.
Seja qual for o modelo, o atendimento precisa ser real. Uma equipe que fica a centenas de quilômetros e nunca visita a unidade não cumpre o papel do serviço.
Terceirizados entram na conta do SESMT
Entram quando trabalham de forma contínua dentro da sua unidade ou no local definido em contrato. Limpeza, portaria, manutenção e refeitório fixos são exemplos comuns. Ficam de fora apenas os terceirizados já atendidos pelo SESMT da própria prestadora (item 4.5.2.2).
Um contrato curto não torna o serviço eventual. Para a norma, eventual é o trabalho que depende de algo imprevisível, como um reparo emergencial.
Exemplo: uma fábrica grau 3 tem 240 empregados próprios e recebe 30 terceirizados fixos sem SESMT da prestadora. A base passa a ser de 270 pessoas, a faixa muda para 251 a 500 e a exigência sobe de 1 para 2 técnicos de segurança.
Por isso vale saber exatamente quem trabalha na unidade, de qual empresa e em que condições. Sem esse controle, fica fácil errar a conta.
SESMT em canteiros de obras
Na construção, canteiros e frentes de trabalho com menos de mil trabalhadores no mesmo estado não são tratados como estabelecimentos separados (item 4.5.4). Eles fazem parte da construtora principal, que organiza o SESMT.
Engenheiro, médico e enfermeiro do trabalho podem ficar centralizados. Já os técnicos de segurança e os auxiliares ou técnicos de enfermagem são calculados por canteiro ou frente, pela tabela do Anexo II. E todas as obras precisam receber atendimento.
Para as empreiteiras, a regra muda: o estabelecimento é o local onde seus empregados trabalham. Combine essas regras com as exigências da NR 18 e com o controle das equipes subcontratadas.
O que o SESMT faz no dia a dia
O trabalho da equipe gira em torno de três frentes:
- Riscos: monta ou participa do inventário de riscos, acompanha o plano de ação do PGR e verifica se as medidas foram implantadas.
- Saúde: participa do PCMSO, com um dos médicos do serviço indicado como responsável pelo programa, e acompanha os ASOs.
- Pessoas: orienta os trabalhadores, investiga acidentes e doenças e trabalha junto com a CIPA.
Quando encontra uma situação de risco grave e iminente, o SESMT deve propor na hora a parada da atividade e as medidas de correção.
SESMT e CIPA trabalham juntos
A CIPA é uma comissão com representantes da empresa e dos empregados, regida pela NR 5. O SESMT é a equipe técnica contratada. Uma não substitui a outra: os relatos que chegam pela CIPA ajudam o SESMT a enxergar problemas que uma inspeção não pega, e o SESMT devolve orientações e soluções.
Registro do SESMT no gov.br
Todo SESMT precisa ser registrado no sistema eletrônico do portal gov.br, mesmo que tenha um só profissional. No cadastro entram o CPF de cada integrante, a formação e o registro profissional, o grau de risco, o número de trabalhadores atendidos por unidade e os horários da equipe.
A norma não fixa validade para o registro, mas exige que os dados estejam sempre atualizados. Trocou um profissional, mudou um horário ou a empresa cresceu? Atualize o sistema. O manual oficial do Ministério do Trabalho explica o passo a passo de acesso.
Além do registro, mantenha organizados os documentos que mostram o serviço funcionando: a conta do dimensionamento, as fichas dos colaboradores, os ASOs, os treinamentos e os dados das terceirizadas. Prontuários médicos seguem sigilosos e ficam com a equipe de saúde.
Fichas de colaboradores e terceirizadas no mesmo lugar
A OpusFlow reúne as fichas de colaboradores e subcontratadas, com ASOs e treinamentos organizados por pessoa e por empresa. Assim o SESMT sabe quem está trabalhando em cada unidade. A plataforma não dimensiona nem registra o SESMT: ela organiza a documentação que a equipe usa.
Ver como organizar as fichasPasso a passo para montar o SESMT
- Liste as unidades e o que cada uma faz. Anote endereço, atividade principal do CNPJ, atividades realizadas no local e quantas pessoas trabalham em cada uma.
- Descubra o grau de risco. Procure as atividades no Anexo I da NR 4 e fique com o maior grau entre a atividade principal e a que ocupa mais gente.
- Conte os trabalhadores certos. Some os empregados próprios e os terceirizados fixos que trabalham dentro da sua unidade sem o SESMT da própria prestadora.
- Consulte o Anexo II. Cruze o grau de risco com a faixa de trabalhadores e veja quais profissionais e quantos de cada são exigidos.
- Monte a equipe e as escalas. Contrate os profissionais habilitados, defina quem coordena e distribua as horas e os turnos conforme a norma.
- Registre e mantenha atualizado. Cadastre o serviço no sistema do gov.br e atualize sempre que mudar a equipe, os horários ou o número de trabalhadores.
Erros mais comuns
- Usar só o CNAE principal e esquecer a atividade que ocupa mais gente.
- Deixar de somar filiais e terceirizados fixos.
- Aplicar o desconto de 50% fora do caso de micro e pequenas empresas previsto na norma.
- Achar que a clínica de exames ou a consultoria já é o SESMT.
- Ter o número certo de profissionais, mas sem cobrir os turnos.
- Registrar o serviço uma vez e nunca mais atualizar.
Esses erros podem gerar autuação na fiscalização. O valor varia conforme a infração e o porte da empresa.
Perguntas frequentes sobre SESMT
Qual o significado da sigla SESMT?
Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho. É a equipe técnica que a NR 4 exige para prevenir acidentes e doenças ligadas ao trabalho.
Qual NR fala do SESMT?
A NR 4. Ela define quando o serviço é obrigatório, quem faz parte, quantas horas cada profissional dedica e como registrar. Os Anexos I e II trazem o grau de risco por atividade e a tabela de dimensionamento.
Empresa com 50 funcionários precisa de SESMT?
Só se for grau de risco 4. No grau 3 a exigência começa em 101 trabalhadores e nos graus 1 e 2, em 501. Mesmo abaixo desses números, filiais e terceirizados podem mudar o resultado.
Todo SESMT precisa ter médico e engenheiro?
Não. Em muitas faixas a tabela pede apenas técnicos de segurança. Engenheiro e médico do trabalho entram nas faixas maiores ou de grau de risco mais alto.
Quem pode coordenar o SESMT?
Qualquer um dos profissionais que fazem parte do serviço. Não precisa ser o engenheiro nem o médico.
SESMT e CIPA são a mesma coisa?
Não. O SESMT é uma equipe técnica de profissionais contratados (NR 4). A CIPA é uma comissão com representantes da empresa e dos empregados (NR 5). As duas trabalham juntas, mas uma não substitui a outra.
Terceirizados contam para o SESMT?
Contam quando trabalham de forma contínua dentro da sua unidade ou em local definido no contrato. Ficam de fora os que já são atendidos pelo SESMT da própria prestadora.
Contratar uma clínica ou consultoria resolve?
Não por si só. Uma clínica que faz exames ou uma consultoria pontual não forma um SESMT. O serviço precisa ter os profissionais, as horas e o registro que a norma exige.
Quem não precisa de SESMT está livre do PGR?
Não. O PGR e os exames ocupacionais têm regras próprias, na NR 1 e na NR 7. Não ter SESMT não dispensa essas obrigações.
O registro do SESMT vence todo ano?
A NR 4 não define validade anual. O que ela exige é manter os dados atualizados no sistema sempre que algo mudar.
Fontes oficiais
- MTE: página oficial da NR 4. Texto vigente e histórico da norma.
- MTE: texto consolidado da NR 4 e Anexos I e II. Regras de composição, jornadas e tabelas de grau de risco e dimensionamento.
- MTE: manual do sistema de registro do SESMT. Passo a passo para cadastrar e atualizar o serviço.
Texto baseado na NR 4 consolidada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com redação da Portaria MTP nº 2.318/2022 e ajuste da Portaria MTP nº 4.219/2022, consultada em 15 de outubro de 2026. Os exemplos são ilustrativos; para casos específicos, consulte a norma completa e um profissional de segurança do trabalho.
